Tenho lido. Vorazmente, como em tempos atrás que mais parecem outras vidas. Mas enfim, o fato é que tenho lido. E tantas coisas e de tantos estilos e ritmos diferentes, que acaba impressionando que todas elas estejam convergindo para o mesmo lugar dentro das minhocas de minha cabeça.
O diabo veste Prada, A mente tranquila, É possível ser feliz. O ponto de convergência é um só: a vida como consequência de nossas escolhas. Não vou descrever os livros porque é tarefa muito complexa, e para chegar neste primeiro insight já gastei muita percepção e massa cinzenta.
Enfim.
Descubro que assumi de corpo e alma o papel da miss-mundo-moderno. Arrancando os cabelos e perdendo a juventude por coisas que não vão mudar em um milímetro a mais universal de todas as leis: nascer, crescer, (talvez) reproduzir e morrer. Só que a gente teima em enfiar na equação mais um elemento: se ocupar. A coisa toda embola de um jeito que nascer, estudar, crescer, trabalhar, fazer uma pós-graduação, encontrar um trabalho que pague mais, competir (às vezes de forma desleal) com seus próprios amigos e trabalhar mais um pouco acaba virando sinônimo de viver. Desde quando viver é 100% de preocupação, dor, culpa? Medo e decepção? Do alto dos meus 27 anos parece que existir é meramente uma sucessão de cansaço e desesperança intercalados pela anestesia do fim de semana.
Quando foi que as coisas deixaram de ser simples? As necessidades do ser humano são poucas: comer, dormir, jogar fora o que o corpo excreta. Quando foi que a natureza deixou de ser suficiente? Quando foi que renunciamos ao verde para nos livrarmos dos mosquitos?
Quando foi que eu vendi minha alma?
No momento estou cansada. Muito. Com medo, também. Mas também com fé naqueles spirituals que dizem que A verdade te libertará. Tive um vislumbre da verdade como há muito não tinha. Espero que isto não passe como uma daquelas idéias que te incomodam por um tempo, mas depois são adequadamente armazenadas numa gaveta no fundo da consciência. Pra nunca mais voltar.
... e a borboleta voou às 1:40 PM
Faça com que cada dia seja realmente novo, vestindo-se com as bênçãos do paraíso, banhando-se em sabedoria e amor, e colocando-se sob a proteção da Mãe Natureza. Aprenda dos sábios, dos livros sagrados, mas não esqueça que cada montanha, rio, planta, ou árvore, também tem algo para lhe ensinar.
Paulo Coelho
... e a borboleta voou às 7:23 PM
Crise de coluna, TPM, dor de cabeça, TPM, engarrafamento, TPM, noite mal dormida, TPM, baixa auto-estima, TPM, excesso de trabalho, TPM, cólica, TPM, dor de barriga, TPM, falta de dinheiro, TPM, preocupação com o futuro, TPM, falta de reconhecimento, TPM...
No mais? Tá tudo óooootimo.
... e a borboleta voou às 9:51 AM
Agora é pra valer
Ou eu provo cientificamente que a força da gravidade triplicou de quinta-feira pra cá, ou admito de uma vez que estou doente e boto meu traseiro na cama non-stop até a segunda-feira.
... e a borboleta voou às 5:35 PM
Natsu no yuutsu
Fim das férias. Hora de sair do casulo e voltar com força total para o mundo dos vivos. Só que desta vez, saio realmente diferente do ninho. Finalmente compreendo a maior das mudanças entre a vida na casa dos pais e ter meu próprio lugar. A liberdade, que antes mesmo presente era amarga - por motivos que existiam primordialmente dentro da minha cabeça - está me forçando a crescer além do esperado. Porque agora eu descubro que a noite não é tão perigosa quanto eu imaginava. E me dou conta de que tenho de forçar meu amadurecimento, já bastante tardio, e entender que o mundo não é algo a se temer. Como diz meu recém e querido marido, apenas algo a se respeitar.
Quanto tempo levarei para de fato internalizar isto? Não sei. Quando me libertarei do medo insano das pessoas e das novas situações? Não faço idéia. Mas estou tentada - e tentando. Com força.
Talvez um dia descubra que, como diz um livro que devorei recentemente, são os desafios que nos fazem crescer. Aliás, não descobrir. Viver este fato.
Por enquanto, me concentro apenas em não ter medo de ser eu mesma, e das conseqüências que isto traz. "Podem até maltratar meu coração", disse uma vez Renato Russo. "Mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar". Eu acrescento: podem tirar meu emprego. Podem cancelar a internet e a TV a cabo. Podem cancelar a linha do celular. Se mesmo assim eu posso viver, porque ter tanto medo?
Termino com um trecho do Stevie Wonder.
"As long as I know I got love, I can make it".
At least I should.
... e a borboleta voou às 1:48 PM
Tem certas coisas que de fato me aborrecem
... e a borboleta voou às 8:20 PM
SIM, tirar férias é muito legal.
Mas chega uma hora que fica complicado.
Cá estou eu, numa tarde chuvosa de sexta-feira, voltando às atividades lítero-bloguísticas. Os dias que sucederam a lua de mel foram um misto de desaceleração total e (re)aclimatação à casa. Já sei em que lugares as coisas estão, já tenho mais ou menos uma noção mental permanente do que sobra e falta na geladeira e despensa. Já arrumei a casa, já lavei a louça do almoço, já vi TV até os olhos arderem e já troquei a água dos passarinhos - não, eu não tenho gaiolas, até porque nem dez gaiolas fariam tanto sucesso quanto os alimentadores pendurados na janela, uma festa para os beija-flores e bem-te-vis. Mas digresso.
Sim, tenho algumas outras coisas importantes para fazer, mas essa é a essência das férias: parece que o meu organismo acaba se acostumando a realizar apenas uma tarefa de cada vez; e com um tempo de descanso considerável entre um item e outro. Aparentemente meu subconsciente está economizando ação para os próximos dias, que prometem ser um estouro - leia-se sem nada interessante para fazer.
Pra ajudar tem a história das crises de pânico. Ficar muito tempo em casa só corrobora para a sensação de que nenhum outro lugar do planeta é seguro; e depois para reverter essa impressão leva tempo - alguns meses, sei por experiência. Marido trabalhando também contribui - quando o rapaz chega em casa, normalmente cansado e com vontade de tomar um banho e dormir, é que eu estou no auge da pilha, a fim de gastar toda a energia que ficou embolando durante o dia. Invariavelmente ao fim da noite, estou enjoada e com dor de cabeça, esfregando os olhos na frente da TV. E assim a vida vai.
Antes que alguém venha sugerir coisas: sim, eu tenho lido, caminhado, cozinhado, feito trabalhos domésticos, falado com os amigos e família frequentemente. E ainda assim sobra teeempo... Assim sou eu...
... e a borboleta voou às 3:40 PM
Com o perdão da palavra, agora FUDEU
Meu irmão chega HOJE
Eu entro de férias HOJE
O casamento é AMANHÃ
E a lua-de-mel em dois dias...
Ai ai ai!
... e a borboleta voou às 10:41 AM
Contagem regressiva para tudo. Das coisas mais importantes - como o casamento -, às mais bobas, tipo tirar o aparelho dos dentes. E assim eu consigo balancear o nervosismo, cortejando a insanidade com a ajuda de litros e mais litros de chá de camomila.
Mudança. Roupas, livros, memória. Transferir-se de residência. Transferência de vida.
Faltam:
1 dia para um evento no trabalho
6 dias para a prova do vestido
7 dias para tirar o aparelho ortodôntico
8 dias para o casamento civil
10 dias para a chegada do meu irmão
10 dias para entrar de férias
11 dias para o casamento
12 dias para a lua-de-mel
e aí, PAZ!
(eu espero...)
... e a borboleta voou às 11:43 AM
Só pra constar...
Hoje eu vi Deus. Quer dizer, eu vi um cara muito parecido com o Morgan Freeman. Na minha cabeça, vem a ser a mesma coisa.
... e a borboleta voou às 10:21 AM